oficina de escrita

quando te perdes
(e perdes-te tanto)
e já não encontras a história que queres contar
aguarda pacientemente o regresso do vento
o voo das aves ou o café da manhã
talvez um incêndio a oeste
                                          em que pressintas um qualquer recomeço

uma queda acidental do cigarro
a torção do ferro que desponta no cimento
palavras ditas em segredo que te façam ver

quando encontrares o derrame 
isto é, a prova inequívoca de um sangramento
talvez surja novamente a vontade 

só não esperes sentado de costas para todo esse mar

r. marques
são seis da manhã
e tenho uma palavra para ti
não está assente na madrugada
ou na ombreira luminosa da manhã
está mais adiante
mais recolhida
como um gato que dorme
ou em algum caso
um corpo que flutue na sombra
que voe sobre as árvores e veja
tenho para ti o requisito da espera
da paciência que já se não tem
aguarda novas mais à tardinha
quando o desejo for extremo
e não haja mais nada a se dizer

r_marques







Stay still do be still 
No wonder you are always lost  If a messenger you must be known  Then with messages you must return  To be seen by demanding hands  And touches of jealous men  Invisible and forgivable  To all their secret hands  Be it so be quick  Don't run just walk and walk and walk  Don't loose yourself to decorate  Somewhere on your wall  Cause somewhere in your mind  You know you are doing fine  Holding secret hair locks  You'll pluck before you hide  So how can I keep anything to myself  So how can I keep any of these to myself  So how can I keep anything to myself  Behind those clouds  I'm almost home


segunda-feira

continuo a não saber o que fazer com os sonhos.
inclino-me serenamente,
                                       agora,
rumo ao dia.
observando
                   já

o processo democrático que é existir.

são oito da manhã, poderia ser meia-noite.
dou-lhe música, como sempre.

arrepio rua acima,
deixo o projecto de vida sobre a mesa da cozinha.

r_marques